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Não falar também pode ser considerado assédio

"Eu estava extremamente bem vestida, unhas pintadas, cara maquilhada com gosto, saltos altos, decote apurado mas não vulgar, e uma saia muito sexy. Ele estava sentado num banco à espera do metro, a estação estava praticamente deserta. Desci as escadas, e caminhei na sua direcção. Sentia-me fantástica, irresistível. Andei de forma determinada, com confiança. Sentia a corrente de ar da estação a bater-me no rosto pintado. Aproximei-me, ele levantou os olhos do jornal. E baixou-os logo de seguida. Nunca me senti tão humilhada na vida! Nem uma palavra, nem um piropo, não tentou meter conversa, nada! Apresentei imediatamente queixa na polícia, por comportamento misógino que me humilhou profundamente".

É para situações como esta, descrita por Joana Meirim, que o Bloco de Esquerda propõe criminalizar o desprezo pela mulher, para castigar os homens que insistem a não dar valor à figura feminina, quando a mulher entende que a sua figura deve ser valorizada. A ideia é que a partir de agora, em circunstâncias concretas em que seja manifesto que uma mulher aparece vestida de forma - nos termos da lei - "upa upa coiso e tal", e com uma pré-disposição a ser elogiada, o homem que não lhe falar ou pelo menos olhar fixamente - quebrando assim a auto-estima da visada - incorre na prática num crime com pena semelhante ao crime de piropo.

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